Glorifiquemos
Quando o vaso se retirou da cerâmica, dizia sem palavras:
-Bendito seja o fogo que me proporcionou a solidez.
Quando o arado se ausentou da forja, afirmava em silêncio:
-Bendito seja o malho que me deu a forma.
Quando a madeira aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz:
-Bendita seja a lâmina que me cortou cruelmente, preparando-me a beleza.
Quando a seda luziu, formosa, no templo, asseverava no íntimo:
-Bendita seja a feia lagarta que me deu vida.
 
Quando a flor se entreabriu, veludosa e sublime, agradeceu, apressada:
-Bendita a terra escura que me encheu de perfume.
Quando o enfermo recuperou a saúde, gritou, feliz:
-Bendita a dor que me trouxe a lição do equilíbrio.
Tudo é belo, tudo é grande, tudo é santo na casa de Deus. Agradeçamos a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina. A alvorada é maravilha do céu que vem após a noite na Terra. Que em todas as nossas dificuldades e sombras seja nosso Pai glorificado para sempre.
-Carta Vipassana

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